[08.12.2010] - CRIANÇA ESPERANÇA - Crescendo entre lendas

Jéssica Socorro Costa dos Reis tem 11 anos. Tímida, responde às perguntas que lhe são feitas com os olhos "puxados", revelando sua origem indígena: "Quero ser professora", murmura a menina.
Jéssica tem uma infância típica de menina ribeirinha da Amazônia: acorda, faz o café para toda a família, dobra a própria rede e a dos três irmãos menores, e ajuda a mãe no que é preciso. Ordenha uma das quatro búfalas, bebe leite fresquinho e vai para a escola. Quando não está estudando, toma o rumo do projeto Caruanas, em Soure, na Ilha de Marajó.
Lá, em menos de três meses, formam-se bordadeiras e crocheteiras. Meninas que vivem em famílias com pouca ou nenhuma renda passam a ter como produzir um pouco de dinheiro, desviando-se do maior fantasma das famílias da região: a prostituição infantil. A menina já aprendeu a bordar e considera-se ótima fazedora de beiras de guar- danapo e capas de liquidificador. "Todo mês recebo alguma enco- menda", diz. O dinheiro ajuda na magra economia da família.
Na realidade, o que a faz vencer a timidez é o futebol. "Aqui temos um time só de meninas". No resto do tempo, ouve as histórias de pajé contadas pelos adultos, toma banho nas praias do Marajó e embala o início da adolescência com as lendas que povoam aquela parte do Brasil. Jéssica tem apenas 11 anos: a mesma idade de Zeneida, protagonista de uma misteriosa história de desaparecimento na floresta.
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